Foi com enorme prazer que assisti nesse final de semana o show de Virginia Rodrigues acompanhada do também baiano e exímio violonista Alex Mesquita no SESC Belenzinho.
Estava com saudades, já fazia algum tempo que não tinha notícias da belíssima voz. Sim, porque Virgínia é toda voz! Do começo ao fim, um culto à música, o canto sagrado que se impõe no tempo e no espaço. Tudo se transforma em eternidade.
Desde que a vi há uns quatro anos atrás, parece que ela não se cansou de aprimorar seu trabalho. O repertório eclético mas totalmente coerente foi repleto dos inesquecíveis Afro-sambas que gravou no seu CD Mares Profundos (2003), carregados da doce lembrança dos grandes e inesquecíveis Baden Powell e Vinicius de Moraes. Cantou canções como Todo Sentimento de Chico Buarque, ousou com Amor, meu Grande amor de Angela Rô Rô (num belo arranjo), Antonico de Ismael Silva, numa interpretação imbatível, entre outras pérolas. Para fechar com chave de ouro, finalizou com nada mais, nada menos que Alguém Cantando de Caetano Veloso, canção bastante significativa no roteiro do show, principalmente se lembrarmos que foi ele, um dos primeiros artistas a reconhecer o imenso talento de Virgínia Rodrigues, tendo incentivado a produção do seu primeiro CD. Ouvir Virgínia Rodrigues significa se entregar ao ritual, com emoção, se deixar levar, corpo e alma pela sonoridade única que se materializa no palco em forma de canção.
Virgínia é quase uma entidade. Faz transbordar sobre a platéia uma religiosidade há tanto tempo perdida. Emoção pura! A relação mais íntima entre o profano e o sagrado. E é assim que gostaria de preservar essa voz sublime ecoando dentro de mim...
Alguém cantando longe daqui
Alguém cantando longe, longe
Alguém cantando muito
Alguém cantando bem
Alguém cantando é bom de se ouvir
Alguém cantando alguma canção
A voz de alguém nessa imensidão
A voz de alguém que canta A voz de um certo alguém
Que canta como que pra ninguém
A voz de alguém quando vem do coração
De quem mantém toda a pureza
Da natureza
Onde não há pecado nem perdão.
(Caetano Veloso)
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