quarta-feira, 30 de maio de 2012

Legião, há tempos...


Pôxa, faz tempo que não apareço por aqui... Mas agora, é inevitável... Desculpem, mas estou assistindo Tributo ao Legião Urbana.
Bom, tudo bem, esse é o meu lado eternamente adolescente. Amo Legião, desde sempre.
Adoro Renato Russo e sua voz e suas canções tristes e tão contundentes. Eis aí um cara que falou para os jovens... Nunca esquecerei da tristeza imensa quando soube da sua morte, e o disco Tempestade, cheio de poucas e boas verdades....
Que voz, eterna voz.... Legião foi sim uma das bandas mais importantes que já vimos por aí...
Engraçado, mas Agora esse tributo, envolvendo um ator que pra mim é um dos maiores... Competente, sério, que eu tanto gosto.
É inevitável perceber a emoção com que  Wagner Moura abraçou essa missão... Sim,  missão...
Interpretar as canções que ficaram grudadas na nossa cabeça e eternizadas em nossos corações quando fechamos os olhos e ouvimos Renato Russo...
É preciso ter muita coragem e amor.
Wagner não canta nada... é excelente ator, ser humano inteligente e sensível e provou com tudo isso o quanto ama o Legião Urbana.
Lindo de ver...
Mais lindo ainda são as mais de sete mil, pessoas, gritando e cantando junto com Wagner Moura, sem se preocupar com o fato dele estar ali, mas todos cantando em uníssono todas as canções da Banda.
Mais uma vez, Wagner Moura provou que sabe muito bem mudar de papel, não adere jamais à figura de galã e faz o público esquecer quem ele é... Não se preocupou em imitar Renato Russo, ao meu ver, decisão mais do que inteligente. Não é possível imitar Renato, de jeito nehum...
Então, temos o ator, propondo ao grande público jovem, uma certa rememoração, reviver, nostalgia e aquela saudade incrível.
Pelo que vi, também havia dentre as sete mil pessoas, jovens que talvez tenham nascido depois da morte de Renato Russo e que portanto, conhecem as músicas (todas) porque ouviram seus CDs.

Enfim, não pude mudar de canal... Embora eu seja já bem 'velhinha', quantas coisas vivi, embaladas pelas canções da Legião Urbana. Jamais vou esquecer... Adoro ouvir as letras e ainda me emociono com elas...
Écomo eu disse, essa é a juventude que ain da vive em mim.
Fico agradecida por ter visto isso.... pela coragem dos meninos (Dado e Bonfá) em terem topado esse reviver, pela coragem do Wagner Moura que permitiu que o público (tão jovem) se encontrasse com o espírito de uma das bandas mais importantes que já conhecemos no Brasil.
E parece que verdadeiramente a Legião Urbana deixou marcas indeléveis na sua, na minha e também na vida de Wagner Moura..... Sem dúvida!
E Renato vive, ainda e sempre!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

O cinema nosso de cada dia!



Aproveitei o final de semana pra colocar em dia os filmes que queria muito assistir, evidentemente o tempo parece insuficiente para a realização de tal empreitada. São muitas estréias, muitos filmes em cartaz prestes a sumirem das telonas e ainda os candidatos ao Oscar... É... acredite, eu ainda insisto, não sei bem porquê, mas lá no fundo tenho esperança de encontrar um grande filme por ocasião dessa (cada vez mais esdrúxula) premiação!
Tenho a impressão que essa foi a última vez...

Fui assistir Descendentes, devo confessar que muito motivada pela figura de George Clooney que aprecio, não apenas a beleza, mas também o ator....
Decepção... o filme é muito ruim, e especialmente a atuação do referido ator é péssima.

Sempre com uma cara de canastrão, que não convenceu de modo nenhum. Trata-se de um drama familiar, mas o maior problema é que não consegui acreditar nos personagens, tudo muito forçado, inverossímil e péssimas atuações.... Talvez a mais interessante, paradoxalmente, seja a da mulher, esposa e mãe que esteve em coma durante todo o filme – imóvel, um verdadeiro cadáver... (nela eu acreditei)
E não sei o que acontece, penso se serão os americanos, que não conseguem substanciar os temas de seus filmes, ou ainda produzir significados.... não sei...

O filme foi rodado no Havaí, paisagens maravilhosas, a história não é ruim, ‘um casal em crise, a mulher sofre um acidente, eles tem duas filhas que ficarão órfãs’.
Acredito que é possível desenvolver bem a psicologia dos personagens em torno de algo assim, no entanto, pairou sobre o filme um certo riso fora de hora, não sei se na tentativa de tornar mais leve o drama, ou se por equívoco de direção.... Mas o fato é que não combinou e ficou difícil acreditar nos personagens...

É preciso dizer que entre mortos e feridos, salvaram-se as crianças que conseguiram transmitir alguma emoção....

Mas é difícil entender porquê um filme como esse mereceria um Oscar, sofrível.... Adequado para uma boa ‘sessão da tarde’ em dia chuvoso!
Não contente, resolvi arriscar mais uma vez, acreditem, fui ver o tão comentado Millennium – Os Homens que não amavam as mulheres. Pois é.... um repórter e uma jovem investigadora problemática se unem para investigar um crime. É bonito de ver, bem filmado, lindas paisagens cores acinzentadas de acordo com o clima proposto. O ator principal é tão frio quanto a neve que inundou as telas, a atriz está tão caracterizada como punk que fica difícil saber se o mérito da interpretação está nela como atriz ou no peso de sua aparência (piercings, tatoos, brincos, tinta preta no cabelo, maquiagem carregada e talvez uma lente de contato que tornava seus olhos quase brancos....) O fato é que Millennium tem 5 Indicações ao Oscar: Melhor Atriz (Rooney Mara), Fotografia, Montagem, Edição de Som e Mixagem de Som. Tenho muitas dúvidas. O que parece ser significativo para a indicação, é que O filme é baseado no primeiro romance da trilogia que vendeu um total de 50 milhões de exemplares em 46 países e se tornou um fenômeno mundial.

Também não me convenceu... Filme bastante longo, parece que se tornou uma regra na indústria cinematográfica....

Continuei com aquela sensação de que nada havia valido a pena, a correria pra chegar no horário, o dinheiro gasto com os ingressos... Ufa!

Então, resolvi mudar o foco e deixar os indicados ao Oscar de lado, chega de bobagem, e lá fui eu ao CineSesc (que alívio) e assisti o delicado O pai dos meus filhos. Concluo que crianças em filmes têm uma chance enorme de dar certo, quando bem dirigidas, sucesso total!

Assim como Descendentes, trata-se de um drama familiar, um segredo e um homem que sofre, mas aí sim, tudo faz sentido, as histórias se entrelaçam e os personagens entregam-se à história e finalmente me emocionei. Um empresário bem sucedido porém arrebatado pelo trabalho, se perde e põe tudo a perder. Lindas paisagens, ótimos atores, um ótimo enredo e nada de Oscar... é claro!

Bom, finalmente, pra fechar o final de semana com chave de ouro, assisti Separação, um filme redentor, provavelmente barato, com atores espetaculares, mais um pouco do excepcional cinema dos iranianos, um filme extremamente complexo, com suas questões existenciais e políticas, sempre problematizando o mundo, a ausência de ética, os conflitos, os afetos.

Um filme cheio de antagonismos, duas mulheres, dois homens, duas crianças, onde todos sofrem, num país sem lugar para a diferença. O forte desejo de sair (fugir?), o medo, a insegurança e uma decisão a tomar.... Este, concorre ao prêmio de Melhor filme de língua estrangeira... vamos ver!!!

Os Descendentes.2011.EUA. 115min. Direção: Alexander Payne.Elenco: George Clooney, Shailenne Woodley.

Millennium - Os Homens que Não Amavam as Mulheres. EUA / Suécia / Reino Unido / Alemanha. 158min. Direção: David Fincher. Elenco: Daniel Craig e Rooney Mara.

O pai dos meus filhos. França/Alemanha. 110 min. Direção: Mia Hansen-Love. Elenco: Louis-Do de Lencquesaing, Chiara Cavelli, Alice de Lancquesaing, Alice Gautier.

Separação. Irã. 2011.123min. Direção: Asghar Farhadi. Elenco: Peyman Maadi, Leila Hatami.


Costumo dizer que cinema é assim, a gente tem que acreditar que aquela história está acontecendo diante de nós, temos que ser cúmplices, nos emocionar, torcer pelos personagens...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

INHOTIM - Uma Experiência Estética

Estivemos visitando Inhotim em Brumadinho - Minas Gerais. Era uma viagem muito desejada, desde a inauguração do Museu há mais ou menos 4 anos atrás.... Na verdade, um sonho que eu sabia que seria um verdadeiro encanto... Apenas não tinha a idéia de tudo que representaria pra mim essa viagem, tão importante, desejada e singela.
Fomos até Belo Horizonte de ônibus... péssimo ônibus, muito velho, que inclusive nos deixou na mão, perdeu o freio e tivemos que ficar aguardando a chegada de um outro carro, o que atrasou nossa chegada em pelo menos duas horas. Irresponsabilidade total da empresa...
Eu só pensava em chegar.... e tudoestava bem demorado e eu ia ficando um tanto ansiosa.
afinal, eu estava determindada e queria aproveitar o tempo do melhor modo.Procurei me focar completamente na viagem, tão sonhada, ou seja, na bela experiência de visitar um museu de arte contemporânea em meio aos jardins inspirados em Burle Marx (1909-1994).
Finalmente chegamos na Rodoviária de Belo Horizonte e corremos para pegar um ônibus de linha para Brumadinho, tínhamos mais duas horas pela frente, em estrada ruim, no banco duro, carregados de malas, depois de uma noite bem mal dormida....
Mas diante de tanta vontade de chegar, lá fomos nós... Conseguimos chegar, nos dirigimos à simpática Pousada Lafevi, à quatro quilômetros do Museu, ótimo, afinal em última análise, poderíamos ir a pé! Não foi preciso, o Luiz dono do recanto nos levou...
Nem preciso dizer que não dormimos, apenas tomamos um banho quente e pé na estrada... Realmente eu não podia esperar...
Só posso dizer que foi algo deslumbrante chegar em Inhotim, não porque eu seja aspaixonada por arte contemporânea, muito ao contrário, pouco entendo dessa linguagem, mas o encantamento veio da harmonia e da interação entre natureza e arte, sem nenhuma hierarquia, mas a articulação orgânica entre as obras e galerias e a natureza esplêncida ao redor... Pura beleza! Uma experi~encia estética que nos tomou completamente, nos encheu de alegria e prazer, de surpresa pelo encontro sublime com os artistas em suas galerias e surpreendentemente por termos apreciado obras incríveis que pareciam dialogar completamente com um entorno grandioso em que a natureza envolve a idéia e complementa o conceito proposto pela obra... Só posso dizer que meu sentimento foi de encantamento.... fruição e alegria por estar ali, com as pernas doendo de tanto andar e tentar desbravar os quase 1000.000 de metros quadrados de uma área cujos mistérios envolvem grandemente todos que estiverem disponíveis para viver profundamente essa experiência estética e sobretudo aprender com ela.

A chegada já é impactante, pela beleza e o ar leve que passamos a respirar depois da odisséia que enfrentamos antes de chegar...


Os lagos são imensos espelhos d'água que refletem todo o parque, são verdes, de encher os olhos....

O obra de Cildo Meireles, um contundente exemplo de harmonia com a natureza

O artista dinamarques Olafur e nossa enorme surpresa! 

Um navio em meio a mata... Essa galeria é do Miguel Rio Branco, um trabalho chocante, assim como o surgimento dessa arquitetura no jardim...

 A caixa mágica de Oiticica, colorindo o espaço, com cores e misteriosos labirintos...

Puro Narcisismo e um susto, olha eu ali, mil vezes... (artista japonesaYayoi Kusama)

Até o 'Mikey' estava lá! Acho que ele perdeu a cabeça...(Paul McCarthy)

 A natureza se rende, o artista sabe como estar lá! (Waltércio Caldas)

Diante de tanta contemporaneidade, um pouco de tradição e pensamento zen... (O chinês Zang Huan)

Adriana Varejão, um espaço de respeito para acolher uma obra impactante, delicada e de rara sensibilidade...


Jogar essas barras de ferro, de um andaime gigante e deixá-las na posição em que cairam... Dá um certo aperto no coração. E mais uma vez a natureza que acolhe...(Chris Burden)

Depois disso tudo, é só caminhar, respirar, pensar e tentar elaborar tantos pensamentos, tanta beleza e nos percebermos dentro dessa experiência.

 Um forte, a natureza, a defesa simbólica do território.. (Chris Burden)
.
Uma árvore de bronze, suspensa e segura por árvores naturais, dá pra acreditar???

Sempre uma alegria, um colorido, uma intervenção!(Jarbas Lopes)

Por onde olhamos, a beleza se impõe, e mais do que isso a surpresa do encontro...

Os corpos de Edgard de Souza

 O Som da Terra, a natureza, o vidro, a visão que embaça e depois clareia e deixa ver, ver e ouvir os sons fortes e assustadores da mineradora logo ali perto... (Doug Aitken)

                                                                                            
O Monstro de vidrode Matthew Barney
Isso é Inhotim, isso é viver Inhotim, isso significa não voltar a ser o mesmo jamais, isso representa viver uma experiência estética grandiosa...


domingo, 23 de outubro de 2011

Leon Cakoff e o Cinema sem Fim



Fiquei triste com a morte de Leon Cakoff, não apenas por ver chegar ao fim sua enorme contribuição para que pudéssemos ter acesso aos melhores filmes das mais diferentes culturas de todo o mundo...

Com certeza isso já seria suficiente pra justificar um certo sentimento de vazio e nostalgia que pairou sobre mim, mas é muito mais que isso, fiquei pensando que as pessoas que realizam sonhos e se dedicam a alguma coisa com tanta paixão, não poderiam morrer...

Ou pelo menos, só deveriam morrer bem mais tarde, quando não houvesse mais nenhum sonho pra compartilhar...

Foram tantas histórias, tantos filmes que ajudaram a mudar nosso modo de ver o mundo. Eu era uma garota caipira, que nunca tinha vindo pra ‘cidade grande’ e foi pelo cinema que conheci São Paulo, foram os filmes que me capturaram para sempre... foi por meio do cinema que mudei.


As Mostras foram as grandes janelas para o mundo, através delas eu cresci, aprendi mais sobre a vida, chorei, comecei a perceber quanta poesia aquelas imagens derrubavam sobre meu olhar atônito.


Impossível não sentir gratidão e não reconhecer a importância de um trabalho sensível de garimpeiro, que trouxe tanta beleza para os cinéfilos de São Paulo e de tantos outros lugares...


Há muito tempo, outubro é um mês assim, muita gente pede férias nesse período, vem pra São Paulo e fica zanzando por aí, de sala em sala, enfrentando filas imensas... pra depois se emocionar e trocar idéias com os amigos...defender com unhas e dentes um filme, tomar uma cerveja ou quem sabe um café, mesmo que sozinho, num balcão qualquer, na tentativa de elaborar o que se viu em tela grande, no escuro da sala!


Porque cinema é assim mesmo, paixão pura, quase militância, loucura, vício, encantamento... enfim sonho coletivo! Não dá pra ser diferente.


Com a morte de Cakoff morre também um pouquinho do brilho das Mostras de Cinema. Mas, a vida segue, o cinema sem fim continua aí! Leon ajudou a construir uma parte importante dessa história, São Paulo ficou um pouquinho menor, mas o que aprendi até aqui foi extremamente inspirador e continuará alimentando o sonho que realizo na companhia dos filmes de todo o mundo que vejo por aí.... Um ótimo jeito de viajar!

Agradeço ao Cakoff por ter aberto essa porta e indicado um caminho possível na sala escura....






sábado, 15 de outubro de 2011

Meu País



Pode parecer estranho, mas estava com saudades do Rodrigo Santoro, do excelente ator que ele é... e que às v ezes fica meio escondido diante de tantas participações que aceita fazer em filmes de gosto extremamente duvidoso...
Então, lá fui eu assistir Meu País de André Ristum, com Rodrigo Santoro, Débora Falabella, Cauã Reymond e o imbatível Paulo José. Faço questão de citar todos os atores, porque de fato é algo surpreendente.
Paulo José faz uma pequena participação que consegue ser de uma densidade incrível, como sempre ele defende o personagem com unhas e dentes e talvez seja um dos maiores atores brasileiros que merece todo nosso carinho e reconhecimento.


Cauã Reymonds, foi muito além do rostinho bonito. Nunca acreditei que ele fosse se colocar tão bem como ator de cinema, afinal as novelas também abundam na sua carreira global, mas ele esteve brilhante em pelo menos dois filmes como: Estamos Juntos (2011) de Toni Venturi, Se nada mais der Certo (2009) de José Eduardo Belmonte. Em Meu País, ele se sai bem no papel de um garoto irresponsável e mimado, com uma interpretação precisa.
Rodrigo Santoro, felizmente em muito boa forma, faz um personagem sério, centrado, introspectivo e de certo modo angustiado... Uma atuação na medida certa, que emociona por revelar um drama sem ter que falar sobre ele...

Finalmente, Débora Falabella no papel de uma menina com problemas mentais consegue uma interpretação que não cai em estereótipos muito prováveis na situação proposta pelo filme. Enfim, Débora, se supera e delicadamente constrói de modo singelo o perfil da personagem.

O filme é bonito, são três irmãos tentando elaborar suas perdas, emociona pelo entrecruzamento do drama familiar e das questões sociais e políticas que envolvem a problemática de cada personagem. Acho que vale a pena assistir, embora o final, deixe um pouco a desejar....

Os Loucos e Encantadores Náufragos


Impossível não manifestar a emoção que senti novamente ao assistir o espetáculo do théatre du soleil – Os Náufragos da Louca Esperança dirigido por Ariane Mnouchkine também criadora do Grupo em 1964 na França.
Depois de Les Éphémères, encenado em 2007, novamente o impacto foi imenso pra mim, não sei explicar direito, mas a trupe mais uma vez, conseguiu tocar, tão profundamente minha alma.


Trata-se de um teatro visceral, trabalho pesado e colaborativo, atores-operários, loucos sim, que correm, carregam e arrastam cenários, fazem a luz do espetáculo, o som, a música. Com isso, cria-se uma dinâmica deveras impressionante e envolvente. Tudo que sempre esteve nos bastidores vem para o palco, ocupa os espaços e passa a ser alvo do nosso olhar afoito.


O espetáculo transcende, vai além da história que quer contar e acaba contando muitas outras, a de seus artesãos que compartilham esse fazer teatral, com seu suor, seu esforço. E ali convivem o tradicional e o contemporâneo.


Dessa vez, o texto escolhido foi o livro póstumo de Julio Verne - Os Náufragos de Jonathan. A linguagem proposta pelo Grupo, transita entre teatro, dança, literatura e cinema, a magia está toda aí...nesse jogo entre Filme-Teatro-Filme e assim, nosso sonho perdura e passeia durante 3h45 de espetáculo puro.



Enfim, enquanto Les Éphémères com seus cenários girando diante da paltéia, revelava cenas sublimes do cotidiano e com elas toda dor da existência, os náufragos vem nos convidar ao enfrentamento, em busca de um mundo melhor e justo, onde seja possível confiar nos homens... e principalmente um mundo que nos permita sonhar e ser alegre!

Conhecer o trabalho da cia Théâtre du Soleil pode ser uma oportunidade única e transformadora!!!

domingo, 2 de outubro de 2011

A árvore da vida - Ame-o ou Deixe-o



Uma parte do público gostou de Árvore da Vida, principalmente os seguidores de Terrence Malick, um diretor Cult tem sido bastante difundida. Quanto a mim, considerei o filme extremamente pretensioso e repleto de tentativas frustradas que são descaradamente despejadas sobre o expectador de maneira óbvia, diria até que menosprezando a capacidade do público de compreender o subtexto....

Ao contrário disso, tenho gostado cada vez mais do cinema simples, que consegue discutir suas idéias sem grandes malabarismos, talvez o desafio maior para um cineasta...

A árvore da vida não alcança seu propósito, se é que há algum. O filme todo parece uma grande jogada de marketing a começar pelo elenco: Brad Pitt e Sean Pean, a impressão que fica é que lançou-se mão de grandes nomes do cinema americano com a clara intenção de vender o produto ou na pior das hipóteses, iludir o espectador. Não quero com isso diminuir a competência dos atores, o que seria ridículo. Devo reconhecer que Brad Pitt está impecável no papel do pai autoritário, cheio de recalques, que oprime a família de modo violento. Já Sean Penn faz um papel no mínimo medíocre, muito aquém das suas possibilidades.

As crianças de Árvore da Vida estão estupendas, super bem dirigidas e absolutamente expressivas e sensíveis, talvez o melhor que o filme pode oferecer ao público. Me fez pensar no A Fita Branca - Michael Haneke

No mais, Malick não economiza nas imagens de vulcões, dinossauros (a moda Spilberg), entranhas do corpo humano, passando pela vida marinha, planetas diversos, os quatro elementos ... tudo isso pra explicar o conflito nas relações familiares. E por aí vamos vagando nos 138 minutos que dura essa aventura metafórica que de fato não parece levar à lugar nenhum....

O fato é que os meios de comunicação e a crítica não informam o público sobre a natureza dos filmes, de forma clara e suficiente, então, temos a sinopse de árvore da vida diz: ‘Sobre a vida de uma família nos anos 50’. Parece muito pouco pra orientar a ida de qualquer um de nós ao cinema...

Sugiro também o filme Sonho de amor. O título é totalmente infeliz e quem for ao cinema para ver um filme água com açúcar como aqueles protagonizados por Júlia Roberts vai perder a viagem. Trata-se de um ‘filmaço’, denso, sério, sem melodramas, atores esplêndidos, muito ao contrário do que parece indicar o título. A crítica também parece não ter comunicado nada sobre isso.